O Mosteiro pertenceu à Ordem de Cister e é caracterizado pela sua arquitetura religiosa, românica, maneirista, barroca, rococó, neoclássica e contemporânea. Deste imóvel destaca-se a Sacristia dividida por dois arcos pintados, tem o teto de caixotões, ornando com pinturas. De salientar, as paredes da sacristia forrada a azulejos do século XVIII que retratam a vida de S. Bernardo, um tesouro artístico legado pelos nossos antepassados e desconhecido dos mais atentos olhares.
“A sacristia, que se conserva em estado quase impecável, é a melhor, a mais admirável peça de todo o conjunto conventual; um verdadeiro mimo de arte, certamente único”. Estas palavras são de Domingos M. Silva, e representa um pouco o sentimento geral daqueles que visitam o local. Trata-se de espaço de planta retangular dividido em dois tramos por um pilar, onde descarregam dois arcos de volta perfeita, terminando numa elegante coluna, devidamente decorada com pintura antiga semelhante a frescos. É no teto que está a maior beleza: apresenta-se em caixotões, com “delicadíssimos ornatos” e pinturas de fundo, com diferentes motivos simbólicos, designadamente sobre a natureza, folhagens, volutas e anjinhos; e uma série de versos bíblicos ou legendas em latim e alegorias sobre a vida de Nossa Senhora.
Um olhar desatento faz pensar que todos os caixotões são iguais, mas numa observação mais cuidada constata-se que cada caixotão policromado é um quadro diferente, cuidadosamente pintado.
O mobiliário da sacristia é outro motivo de interesse. A toda a volta e encostado às paredes uma correnteza de gavetões de pau santo, com artísticos puxadores e encrustações de latão.
A riqueza artística da sacristia não se fica por aqui. Para além dos adornos, vale a pena ver e apreciar a qualidade dos azulejos pintados possivelmente por Teotónio dos Santos. Nos azulejos está contada a interessante lenda de Umbelina, a irmã de São Bernardo, o abade de Claraval.
Na brochura, “Real Mosteiro de Santa Maria de Bouro”, recolha do padre Carlos, está descrita a lenda segundo a qual S. Bernardo conversa com a sua irmã Umbelina; depois recusa-se a recebe-la em Claraval, admoestando-a pelo traje luxuoso. Ao atravessar uma ponte no coche a caminho do Concílio de Pisa, o diabo aparece a importunar o santo. Este obriga-o a atirar-se ao rio. Mas depois, como vingança, o mafarrico quebra as rodas da “carroça”. Por castigo, S. Bernardo obriga o diabo a servir-se de roda até ao fim do percurso. Noutros quadros é possível ver a bênção da taça e o milagre em que o santo afasta a água da chuva de um escriba que lhe está a escrever uma carta, e do respetivo pergaminho. O último quadro refere-se à conversão do duque Guilherme da Aquitânia.
Na sacristia havia ainda outras telas sobre a vida de Nossa Senhora.
Não se sabe bem a data da obra na sacristia, mas as pinturas no teto devem ter sido feitas em 1715, a julgar por uma inscrição no local. Além da beleza artística do local, é também um espaço de reflexão.