Francisco de Sá de Miranda, poeta e humanista português, nasceu em Coimbra, em 1486 ou 1487 e morreu em 1558. Era filho do cónego Gonçalo Mendes de Sá, cónego da Sé de Coimbra, e de Inês de Melo, senhora solteira, talvez da família nobre dos Mello, de quem o sacerdote teve pelo menos 8 filhos. Doutorou-se em Leis na Universidade de Lisboa, aparecendo referenciado como “doutor” no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, publicado em 1516.
Sá de Miranda foi fidalgo da Corte de D. Manuel, onde encontrou Gil Vicente e Bernardim Ribeiro, com o qual cria uma relação de amizade e é, na qualidade de cortesão, que surge como autor de poemas (cantigas, vilancetes e esparsas) do Cancioneiro Geral.
Entre 1521 e 1526 ou 1527 Francisco de Sá de Miranda viajou para Itália, onde o renascimento nas artes e nas letras tinha atingido o seu apogeu. Fruto desta estadia, introduz na cultura portuguesa as novidades da escola italiana, designadamente o verso decassílabo, as composições em terceto e em oitavas, o soneto, ode, canção, écloga, sextina e a comédia em prosa. Precursor na utilização das formas clássicas, Sá de Miranda inicia o período do Renascimento na literatura portuguesa.
Em 1527 a Corte de D. João III refugia-se em Coimbra, afastando-se da epidemia de peste que se propagava em Lisboa. Sá de Miranda manteve aqui relações muito próximas com o rei e com os fidalgos da Corte. Apesar de já ter rompido a sua ligação à Corte, manteve relações de amizade com D. João III que duraram para sempre. A predileção do rei por Sá de Miranda valeu-lhe a Comenda de S. Julião de Moronho (concelho de Tábua) que viera a trocar pela Comenda de Duas Igrejas (concelho de Vila Verde).
Por volta de 1530 Francisco de Sá de Miranda casa com D. Briolanja de Azevedo, da família dos Azevedos que se cruzara com a dos Machados, senhores da Casa de Castro, filha de Francisco Machado, Senhor da Casa da Torre (Vila Verde) e Senhor Donatário do concelho de Entre Homem e Cávado. Foi na Casa da Torre que Sá de Miranda e sua esposa terão vivido até 1552, onde criaram e educaram os seus filhos, Gonçalo Mendes de Sá e Jerónimo de Sá e Azevedo.
Já depois do casamento comprou parte da Quinta do Barrio, em Fiscal, mas só depois de ter adquirido a outra parte da quinta, é que forma a Quinta da Tapada, para onde se transferem em 1552.
A morte do D. João Manuel, que tinha uma grande admiração pelo trabalho de Sá de Miranda, em 1554, a morte do seu filho primogénito, em combate no Norte de África, e a morte da sua esposa, abalaram profundamente os últimos anos de vida do poeta, que acabou por falecer em 1558. Sá de Miranda deixou uma importante obra epistolográfica e uma série de éclogas, entre outros textos. A sua obra foi publicada postumamente, em 1595.