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Religião
Igreja Paroquial de Carrazedo
Igreja Paroquial de Carrazedo

Classificada como Imóvel de Interesse Público, a  Igreja Paroquial de S. Martinho localiza-se na freguesia de Carrazedo. De planta longitudinal, composta por nave única, a igreja é constituída por torre sineira quadrangular com cúpula bolbosa, duas capelas laterais, adossadas do lado esquerdo e capela- mor retangular.
A origem da sua construção remonta à Idade Média, como se pode observar pelos vestígios de uma janela românica, descobertos numa das paredes da capela-mor, pertencentes à primitiva igreja. No século XV foi construída a capela de Santa Margarida para sepultura de Manuel Machado de Azevedo, 3.º Senhor de Entre Homem e Cávado e de sua esposa. Na segunda metade do século XVI o filho de Francisco de Sá de Miranda, Jerónimo de Sá de Miranda, manda construir a capela de Nossa Senhora da Apresentação ou da Tapada para colocar as sepulturas dos seus pais e família.
Em meados do século XVIII a igreja é reedificada, apresentando a arquitetura que podemos ver atualmente. A fachada principal da igreja é barroca, com portal com frontão recortado, encimado por um nicho onde se encontra a imagem de S. Martinho, ladeado por dois janelões.
Francisco de Sá de Miranda

Francisco de Sá de Miranda, poeta e humanista português, nasceu em Coimbra, em 1486 ou 1487 e morreu em 1558. Era filho do cónego Gonçalo Mendes de Sá, cónego da Sé de Coimbra, e de Inês de Melo, senhora solteira, talvez da família nobre dos Mello, de quem o sacerdote teve pelo menos 8 filhos. O facto de ter nascido de uma relação irregular, Sá de Miranda não faz referência ao pai e à mãe na sua obra, quem talvez o faça, com maus propósitos, será Gil Vicente, dramaturgo na Corte, na Comédia Sobre a Divisa da Cidade de Coimbra e no Clérigo da Beira. Por outro lado, Sá de Miranda, no regresso de Itália, põe em causa o medievalismo das peças vicentinas. A relação entre estas duas grandes personalidades da Literatura Portuguesa tem sido várias vezes referida pela crítica literária.
Apesar de não existirem documentos que o comprovem, Sá de Miranda deve ter realizado o ensino elementar e secundário nas escolas do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde terá recebido sólidas bases de formação humanística e cristã. Doutorou-se em Leis na Universidade de Lisboa, aparecendo referenciado como “doutor” no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, publicado em 1516.
Francisco de Sá de Miranda amou e foi amado por uma bela mulher, poeticamente denominada Célia. Para Rodrigues Lapa poderá tratar-se de Isabel Freire, dama de companhia da infanta D. Isabel, filha de D. Manuel I. É certo que Sá de Miranda teve vários amores de mocidade em terras de Coimbra.
Sá de Miranda foi fidalgo da Corte de D. Manuel, onde encontrou Gil Vicente e Bernardim Ribeiro, com o qual cria uma relação de amizade e é, na qualidade de cortesão, que surge como autor de poemas (cantigas, vilancetes e esparsas) do Cancioneiro Geral.
Entre 1521 e 1526 ou 1527 Francisco de Sá de Miranda viajou para Itália, onde o renascimento nas artes e nas letras tinha atingido o seu apogeu. Fruto desta estadia, introduz na cultura portuguesa as novidades da escola italiana, designadamente o verso decassílabo, as composições em terceto e em oitavas, o soneto, ode, canção, écloga, sextina e a comédia em prosa. Precursor na utilização das formas clássicas, Sá de Miranda inicia o período do Renascimento na literatura portuguesa.
Em 1527 a Corte de D. João III refugia-se em Coimbra, afastando-se da epidemia de peste que se propagava em Lisboa. Sá de Miranda manteve aqui relações muito próximas com o rei e com os fidalgos da Corte. Apesar de já ter rompido a sua ligação à Corte, manteve relações de amizade com D. João III que duraram para sempre. A predileção do rei por Sá de Miranda valeu-lhe a Comenda de S. Julião de Moronho (concelho de Tábua) que viera a trocar pela Comenda de Duas Igrejas (concelho de Vila Verde).
Por volta de 1530 Francisco de Sá de Miranda casa com D. Briolanja de Azevedo, da família dos Azevedos que se cruzara com a dos Machados, senhores da Casa de Castro, filha de Francisco Machado, Senhor da Casa da Torre (Vila Verde) e Senhor Donatário do concelho de Entre Homem e Cávado. Foi na Casa da Torre que Sá de Miranda e sua esposa terão vivido até 1552, onde criaram e educaram os seus filhos, Gonçalo Mendes de Sá e Jerónimo de Sá e Azevedo.
Já depois do casamento comprou parte da Quinta do Barrio, em Fiscal, mas só depois de ter adquirido a outra parte da quinta, é que forma a Quinta da Tapada, para onde se transferem em 1552.
A morte do D. João Manuel, que tinha uma grande admiração pelo trabalho de Sá de Miranda, em 1554, a morte do seu filho primogénito, em combate no Norte de África, e a morte da sua esposa, abalaram profundamente os últimos anos de vida do poeta, que acabou por falecer em 1558.

As primeiras obras poéticas de Francisco de Sá de Miranda, em número de treze, foram publicadas no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, em 1516. Em prosa literária publicou duas comédias, Os Estrangeiros e os Vilhalpandos. Grande parte da poesia mirandina foi escrita durante a sua estadia em Itália, como é o caso da Cantiga feita nos grandes campos de Roma. Sá de Miranda deixou uma importante obra epistolográfica e uma série de éclogas, entre outros textos. A sua obra foi publicada postumamente, em 1595.

Casa da Tapada

Classificada como Imóvel de Interesse Público por Decreto de 1977, a Casa da Tapada fica localizada na quinta com o mesmo nome, numa zona rural, isolada por campos de vinha e mata na freguesia de Fiscal.

Em 1530 Francisco de Sá de Miranda e sua esposa, D. Briolanja de Azevedo, compram a Quinta do Bárrio Novo ou de Bárrio da Fonte e, mais tarde, fazem a aquisição de outra parte da quinta com outros terrenos, dando origem à Quinta da Tapada.
A Casa da Tapada é mandada construir por Francisco de Sá de Miranda em 1540, mas só em 1552 o casal se instala definitivamente na casa.
Em 1589 Francisco de Sá Menezes, neto de Francisco de Sá de Miranda, e a sua primeira mulher, mandam construir a Capela de Nossa Senhora da Salvação. Tratava-se de uma pequena ermida pegada à casa principal.
Junto ao solar existem edifícios agrícolas, designadamente um espigueiro e outras casas rústicas. No terraço, em frente à casa, encontra-se um espaldar com um baixo-relevo representando Santiago, montado a cavalo a espezinhar os mouros, proveniente de uma fonte seiscentista.

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Atualizado em 04/07/2025
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