A ruralidade de Amares encerra em si uma religiosidade intrínseca manifestada em diversas tradições, festas e romarias. Também os caminhos e as aldeias se pontuam de cruzeiros, nichos e alminha...
O rio Cávado nasce na Serra do Larouco, a uma altitude de cerca de 1.520 metros, desaguando no oceano Atlântico, no Concelho de Esposende, tendo percorrido cerca de 129 Km.
O Concelho de Amares localiza-se na margem direita deste rio, com espaços e lugares de rara beleza natural e paisagística, proporcionando agradáveis momentos de lazer.
É atravessado pela Ponte do Porto, na freguesia de Prozelo.
Com cerca de 45 km de comprimento, o rio Homem nasce na Serra do Gerês e é um afluente do rio Cávado.
O Concelho de Amares localiza-se na margem esquerda deste rio. São várias as zonas de lazer e belas as paisagens.
É atravessado pela Ponte de Rodas, permitindo a ligação de Caldelas a Vila Verde.
Esta ponte está classificada como Monumento Nacional. De arquitetura civil pública, construída na Idade Média, é um testemunho vivo da ancestralidade do Concelho de Amares e é constituída por tabuleiro plano sobre três arcos desiguais, com dois contrafortes com talhamar de contorno triangular e talhante de contorno retangular.
O Santuário de Nossa Senhora da Abadia está edificado na encosta da montanha, rodeado de vasta vegetação, com a ribeira a escorregar pela serra e o silêncio a imperar em todo o espaço. O cruzeiro do final do século XVIII, implantado ao centro do grande adro da igreja, dá-nos a indicação da chegada. Em ambos os lados do terreiro fronteiro à igreja, encontram-se dois edifícios: a Casa das Ofertas dos Romeiros e os Quartéis onde, em tempos passados, os peregrinos pernoitavam. Hoje, transformados em Museu de Arte Sacra da Confraria de Nossa Senhora da Abadia. Ao fundo, avulta o Santuário, considerado por muitos o santuário mariano mais antigo da Península Ibérica.
Foi edificado no primeiro quartel do século XVIII, substituindo uma pequena ermida medieval ali construída no século XII, após a aparição de Nossa Senhora no local de Abadia. O Santuário foi integrado no Mosteiro de Santa Maria de Bouro, construído no final do século XII pelos monges beneditinos que, desde o século IX ocupavam o monte de S. Miguel. Alguns anos depois, passou a reger-se pela ordem de S. Bernardo, sendo cisterciense até à sua extinção, em 1834.
A fachada principal da igreja é antecedida por duas torres sineiras de granito com cartelas dos relógios. Ao centro, um arco abatido com pedra de armas na base, e no topo, um nicho com a imagem de Nossa Senhora da Abadia.
No interior, destacam-se os inúmeros altares nas três naves laterais, separadas por arcos de volta perfeita que, juntamente com o altar principal, impressionam pela sua grandiosidade e pela beleza da sua talha dourada. Destaque ainda para o órgão setecentista, talhado à mão, com a particularidade de possuir uma carranca cuja boca se mexe em simultâneo com o som.
No altar principal, é possível subir até junto da secular imagem de Nossa Senhora da Abadia com o Menino ao colo, que é venerada por milhares de peregrinos que ali chegam, sobretudo no último domingo de maio e no dia 15 de agosto. Este santuário foi classificado como de interesse público, no ano de 2016.
Cerca de um quilómetro antes do Santuário da Abadia, podem ver-se as capelas correspondentes aos caminhos da “Paixão de Cristo” e da “Vida de Maria”, popularmente conhecidos como “Calvários da Senhora da Abadia” ou “Caminhos de Belém”. O passeio pelas 15 capelas: sete rectangulares e oito hexagonais com fachadas tardo-barrocas, construídas sobretudo do lado esquerdo do caminho, é obrigatório, seja em peregrinação ou apenas para apreciar a natureza. As capelas rectangulares correspondem aos passos principais da Paixão de Cristo, enquanto as hexagonais representam a vida da Virgem Maria.
Presume-se que as capelas tenham sido construídas no século XVIII, após a visita do Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles. Rodrigo de Moura Teles, responsável pela construção da escadaria do Bom Jesus do Monte, em Braga.
O percurso é altamente recomendável para quem quer mergulhar no silêncio da montanha, embalado pelo canto dos pássaros e pelo bater das águas, que são uma marca ininterrupta em toda a Abadia.
O Mosteiro de Santo André de Rendufe, localizado num vale, numa zona rural, isolado pela sua antiga cerca, foi mandado construir no séc. XII, na freguesia de Rendufe.
O Mosteiro beneditino masculino, onde se destaca a talha dourada, de estilo barroco nacional, está classificado como Imóvel de Interesse Público. Parte do mosteiro (dependências monacais e quinta da cerca) pertence a particulares, com uma importante produção de vinho verde.
Sendo uma das mais belas joias da arquitetura barroca do Concelho de Amares, o Mosteiro de Santo André de Rendufe proporciona, todavia, uma viagem pelos vários estilos arquitetónicos, onde podemos encontrar a energia e o movimento do barroco, por um lado, e a sobriedade do neoclássico, por outro.
O Mosteiro pertenceu à Ordem de Cister e é caracterizado pela sua arquitetura religiosa, românica, maneirista, barroca, rococó, neoclássica e contemporânea. Deste imóvel destaca-se a Sacristia dividida por dois arcos pintados, tem o teto de caixotões, ornando com pinturas. De salientar, as paredes da sacristia forrada a azulejos do século XVIII que retratam a vida de S. Bernardo, um tesouro artístico legado pelos nossos antepassados e desconhecido dos mais atentos olhares.
“A sacristia, que se conserva em estado quase impecável, é a melhor, a mais admirável peça de todo o conjunto conventual; um verdadeiro mimo de arte, certamente único”. Estas palavras são de Domingos M. Silva, e representa um pouco o sentimento geral daqueles que visitam o local. Trata-se de espaço de planta retangular dividido em dois tramos por um pilar, onde descarregam dois arcos de volta perfeita, terminando numa elegante coluna, devidamente decorada com pintura antiga semelhante a frescos. É no teto que está a maior beleza: apresenta-se em caixotões, com “delicadíssimos ornatos” e pinturas de fundo, com diferentes motivos simbólicos, designadamente sobre a natureza, folhagens, volutas e anjinhos; e uma série de versos bíblicos ou legendas em latim e alegorias sobre a vida de Nossa Senhora.
Um olhar desatento faz pensar que todos os caixotões são iguais, mas numa observação mais cuidada constata-se que cada caixotão policromado é um quadro diferente, cuidadosamente pintado.
O mobiliário da sacristia é outro motivo de interesse. A toda a volta e encostado às paredes uma correnteza de gavetões de pau santo, com artísticos puxadores e encrustações de latão.
A riqueza artística da sacristia não se fica por aqui. Para além dos adornos, vale a pena ver e apreciar a qualidade dos azulejos pintados possivelmente por Teotónio dos Santos. Nos azulejos está contada a interessante lenda de Umbelina, a irmã de São Bernardo, o abade de Claraval.
Na brochura, “Real Mosteiro de Santa Maria de Bouro”, recolha do padre Carlos, está descrita a lenda segundo a qual S. Bernardo conversa com a sua irmã Umbelina; depois recusa-se a recebe-la em Claraval, admoestando-a pelo traje luxuoso. Ao atravessar uma ponte no coche a caminho do Concílio de Pisa, o diabo aparece a importunar o santo. Este obriga-o a atirar-se ao rio. Mas depois, como vingança, o mafarrico quebra as rodas da “carroça”. Por castigo, S. Bernardo obriga o diabo a servir-se de roda até ao fim do percurso. Noutros quadros é possível ver a bênção da taça e o milagre em que o santo afasta a água da chuva de um escriba que lhe está a escrever uma carta, e do respetivo pergaminho. O último quadro refere-se à conversão do duque Guilherme da Aquitânia.
Na sacristia havia ainda outras telas sobre a vida de Nossa Senhora.
Não se sabe bem a data da obra na sacristia, mas as pinturas no teto devem ter sido feitas em 1715, a julgar por uma inscrição no local. Além da beleza artística do local, é também um espaço de reflexão.
O monte de S. Miguel-o-Anjo apresenta-se como um miradouro, enquadrado pelas montanhas rochosas da Abadia, o que lhe confere uma boa posição estratégica e uma excelente visibilidade sobre o vale do Cávado.
Neste local foram encontrados fragmentos de cerâmica da Idade do Ferro e da Época Romana.
Conhecido por António Variações, António Joaquim Rodrigues Ribeiro, filho de Deolinda de Jesus e Jaime Ribeiro, nasceu em Fiscal a 03 de Dezembro de 1944.
Durante a sua infância estudou na escola local e ajudava os pais no campo com as tarefas diárias. Aos 11 anos termina a instrução primária e tem o seu primeiro emprego em Caldelas. Aos 12 anos foi para Lisboa onde trabalhou como aprendiz de escritório, barbeiro, balconista e caixeiro.
Após cumprir o serviço militar em Angola, viaja para Londres em 1975 e Amesterdão onde descobriu um novo mundo e aprendeu a profissão de barbeiro. Esta experiência leva a que exercesse a profissão de barbeiro em Lisboa durante o dia e à noite dedica-se à música realizando espetáculos onde já exibia o seu visual excêntrico com vestuário colorido e adereços originais. As suas músicas já combinavam vários estilos musicais como o pop, rock, blues e fado.
Em 1978 assina contrato com a editora Valentim de Carvalho, mas não edita qualquer música. Só, em 1981, no programa “O Passeio dos Alegres” de Júlio Isidro, as suas músicas ficam conhecidas e começa a sua carreira.
Em Julho de 1982, já sob o nome António Variações, edita o seu primeiro single, com “Povo Que Lavas No Rio” de Amália Rodrigues e “Estou Além”. Um ano depois grava o seu primeiro LP “Anjo Da Guarda”, com dez músicas de sua autoria e que o transformará numa estrela popular à escala nacional, com os êxitos “É p´ra Amanhã” e “O corpo é que paga”.
Depois de percorrer algumas festas e romarias grava, em 1984, o seu último LP intitulado “Dar e Receber” e participa, pela última vez, no programa do Júlio Isidro “A Festa Continua”.
A 18 de Maio de 1984 é internado no hospital Pulido Valente e, posteriormente, é transferido para a Clínica da Cruz Vermelha, a pedido da família, devido a um problema brônquico-asmático.
Faleceu a 13 de Junho vítima de uma broncopneumonia e encontra-se sepultado em Fiscal, no cemitério da sua terra natal, onde, também, foi colocado um busto em sua homenagem do artista Arlindo Fagundes.
As músicas que estavam esquecidas junto com o seu património foram, recentemente, editadas por sete músicos portugueses e invadem as rádios e televisões do nosso país.
“Variações é uma palavra que sugere elasticidade, liberdade. E é exatamente isso que eu sou e que faço no campo da música. Aquilo que canto é heterogéneo. Não quero enveredar por um estilo. Não sou limitado. Tenho a preocupação de fazer coisas de vários estilos.”
Uma paragem no Parque de Merendas dos “Quatro Caminhos”, em Bouro Santa Marta, convida a um piquenique em família ou com os amigos, bem como desfrutar da paisagem que se vislumbra no horizonte.
De alguns dos pontos mais altos de Amares, podemos tirar partido da paisagem que se apresenta bela. O Parque de Merendas dos Quatro Caminhos possui boas condições para proporcionar agradáveis momentos num piquenique, em família ou com os amigos. Este parque está inserido numa imensa área florestal que divide o Concelho de Amares do Concelho de Terras de Bouro.
Nos meses em que o calor aperta, este local é ideal para aqueles que procuram uma refeição em harmonia com a natureza, possuindo algumas infra-estruturas de apoio para o efeito.
O padroeiro é S. Pedro, apóstolo. Edifício do ano 1706 – segundo o Padre Carvalho da Costa é abadia do padroado da Diocese de Braga.
O edifício da igreja matriz é relativamente pequeno e singelo de arte; no entanto tem um valioso recheio de imagens e altares.
O principal, estilo D. João V em todo o seu alçado, tem a mesa de pedra, revestida de madeira; o baldaquino é de construção recente. Nas extremidades do altar, dois serafins, esculturas muito antigas, sustentam tocheiros adaptados à energia elétrica.
Os quatro altares laterais, metidos à face das paredes da igreja, é o primeiro, do lado do Evangelho, dedicado a N. Senhora do Rosário e tem de fronte o de N. Senhora das Dores; as respetivas imagens desafiam-se em beleza e escultura. Ambos são estilo Renascença e muito bem conservados; no alto cada um deles é rematado por um pelicano, com seu serafim às cavalitas.
Os outros dois, estilo D. João V, fica do lado do Evangelho o de S. José e na frente o do Coração de Jesus e Maria.
A pia do batismo tem a forma octogonal desde a taça à base e está completamente alojada em arcos metido na espessura da parede.
Foi soalhada em 1924; o cemitério havia sido construído em 1913.
A urbanização do recinto fronteiro à igreja e que passou a constituir um adro regular e espaçoso, deve-se à iniciativa do falecido abade Fernando Augusto de Araújo Azambuja; estas obras tiveram lugar em 1886 e seguintes.
Ao fundo, e já na berma oposta do caminho velho que liga à estrada da Ponte do Porto, está o cruzeiro paroquial, que tem na face da volumosa pedra do plinto a seguinte inscrição:
SEBASTIÃO V.ra DE CARV.o
DESTA FREG.ª MÃDOU FAZER
NO ANNO DE 1724 E
NO MESMO SE PÔS NESTA
IGR.ª O S. S.mo SACRAMENTO
P.ª O Q TÃBÊ DEU TO-
DOS OS PARAMENTOS
NECESSÁRIOS
A aldeia está encaixada nas encostas da serra de Santa Isabel do Monte e do monte da Abadia, disfrutando de paisagens únicas. No núcleo histórico da aldeia, encontra-se um conjunto de casas rústicas construídas em pedras de granito, assim como alguns espigueiros e moinhos tão caraterísticos no Minho. Algumas casas foram renovadas e adaptadas para turismo rural. As ruas estreitas dão acesso a outras, de terra batida, que nos levam ora por trilhos surpreendentes ora a encontros inesperados com rebanhos ou, para os mais aventureiros, até ao baloiço aerodinâmico do Urjal.
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