A ruralidade de Amares encerra em si uma religiosidade intrínseca manifestada em diversas tradições, festas e romarias. Também os caminhos e as aldeias se pontuam de cruzeiros, nichos e alminha...
O padroeiro é S. Pedro, apóstolo. Edifício do ano 1706 – segundo o Padre Carvalho da Costa é abadia do padroado da Diocese de Braga.
O edifício da igreja matriz é relativamente pequeno e singelo de arte; no entanto tem um valioso recheio de imagens e altares.
O principal, estilo D. João V em todo o seu alçado, tem a mesa de pedra, revestida de madeira; o baldaquino é de construção recente. Nas extremidades do altar, dois serafins, esculturas muito antigas, sustentam tocheiros adaptados à energia elétrica.
Os quatro altares laterais, metidos à face das paredes da igreja, é o primeiro, do lado do Evangelho, dedicado a N. Senhora do Rosário e tem de fronte o de N. Senhora das Dores; as respetivas imagens desafiam-se em beleza e escultura. Ambos são estilo Renascença e muito bem conservados; no alto cada um deles é rematado por um pelicano, com seu serafim às cavalitas.
Os outros dois, estilo D. João V, fica do lado do Evangelho o de S. José e na frente o do Coração de Jesus e Maria.
A pia do batismo tem a forma octogonal desde a taça à base e está completamente alojada em arcos metido na espessura da parede.
Foi soalhada em 1924; o cemitério havia sido construído em 1913.
A urbanização do recinto fronteiro à igreja e que passou a constituir um adro regular e espaçoso, deve-se à iniciativa do falecido abade Fernando Augusto de Araújo Azambuja; estas obras tiveram lugar em 1886 e seguintes.
Ao fundo, e já na berma oposta do caminho velho que liga à estrada da Ponte do Porto, está o cruzeiro paroquial, que tem na face da volumosa pedra do plinto a seguinte inscrição:
SEBASTIÃO V.ra DE CARV.o
DESTA FREG.ª MÃDOU FAZER
NO ANNO DE 1724 E
NO MESMO SE PÔS NESTA
IGR.ª O S. S.mo SACRAMENTO
P.ª O Q TÃBÊ DEU TO-
DOS OS PARAMENTOS
NECESSÁRIOS
Os percursos de peregrinação a São Bento da Porta Aberta têm origem em toda a região do Minho, com uma motivação predominantemente religiosa, mas por vezes também lúdica. Atendendo aos vários percursos existentes na NUT III Cávado, o desafio foi definir um percurso principal que unisse o território do Cávado, de Esposende a São Bento da Porta Aberta, com cerca de 70 km, e 3 percursos variantes, unindo assim os 6 concelhos da NUT III Cávado. Os peregrinos e caminhantes que os percorrem são invariavelmente agraciados com um rico património cultural e natural, com uma paisagem natural única que culmina no Santuário de São Bento da Porta Aberta, situado no concelho de Terras de Bouro, em pleno Parque Nacional da Peneda Gerês.
Um dos principais percursos passa pelo Santuário de Nossa Senhora da Abadia, visitando as várias capelas que dão acesso ao Santuário de São Bento da Porta Aberta.
(Fonte: CIM Cávado)
GUIA DO PEREGRINO: https://www.cimcavado.pt/wp-content/uploads/2020/07/GUIA_CSB_.pdf
https://www.cimcavado.pt/wp-content/uploads/2020/07/GUIA_CSB_.pdf
The Sanctuary of Nossa Senhora da Abadia, a privileged area where nature reigns in its purest state, offers visitors two paths that are widely used by pilgrims and hikers. Along the route there are several fountains where visitors can cool off from the steep climb that the route presents. This trail has a moderate level of difficulty.
O Santuário de Nossa Senhora da Abadia está edificado na encosta da montanha, rodeado de vasta vegetação, com a ribeira a escorregar pela serra e o silêncio a imperar em todo o espaço. O cruzeiro do final do século XVIII, implantado ao centro do grande adro da igreja, dá-nos a indicação da chegada. Em ambos os lados do terreiro fronteiro à igreja, encontram-se dois edifícios: a Casa das Ofertas dos Romeiros e os Quartéis onde, em tempos passados, os peregrinos pernoitavam. Hoje, transformados em Museu de Arte Sacra da Confraria de Nossa Senhora da Abadia. Ao fundo, avulta o Santuário, considerado por muitos o santuário mariano mais antigo da Península Ibérica.
Foi edificado no primeiro quartel do século XVIII, substituindo uma pequena ermida medieval ali construída no século XII, após a aparição de Nossa Senhora no local de Abadia. O Santuário foi integrado no Mosteiro de Santa Maria de Bouro, construído no final do século XII pelos monges beneditinos que, desde o século IX ocupavam o monte de S. Miguel. Alguns anos depois, passou a reger-se pela ordem de S. Bernardo, sendo cisterciense até à sua extinção, em 1834.
A fachada principal da igreja é antecedida por duas torres sineiras de granito com cartelas dos relógios. Ao centro, um arco abatido com pedra de armas na base, e no topo, um nicho com a imagem de Nossa Senhora da Abadia.
No interior, destacam-se os inúmeros altares nas três naves laterais, separadas por arcos de volta perfeita que, juntamente com o altar principal, impressionam pela sua grandiosidade e pela beleza da sua talha dourada. Destaque ainda para o órgão setecentista, talhado à mão, com a particularidade de possuir uma carranca cuja boca se mexe em simultâneo com o som.
No altar principal, é possível subir até junto da secular imagem de Nossa Senhora da Abadia com o Menino ao colo, que é venerada por milhares de peregrinos que ali chegam, sobretudo no último domingo de maio e no dia 15 de agosto. Este santuário foi classificado como de interesse público, no ano de 2016.
Cerca de um quilómetro antes do Santuário da Abadia, podem ver-se as capelas correspondentes aos caminhos da “Paixão de Cristo” e da “Vida de Maria”, popularmente conhecidos como “Calvários da Senhora da Abadia” ou “Caminhos de Belém”. O passeio pelas 15 capelas: sete rectangulares e oito hexagonais com fachadas tardo-barrocas, construídas sobretudo do lado esquerdo do caminho, é obrigatório, seja em peregrinação ou apenas para apreciar a natureza. As capelas rectangulares correspondem aos passos principais da Paixão de Cristo, enquanto as hexagonais representam a vida da Virgem Maria.
Presume-se que as capelas tenham sido construídas no século XVIII, após a visita do Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles. Rodrigo de Moura Teles, responsável pela construção da escadaria do Bom Jesus do Monte, em Braga.
O percurso é altamente recomendável para quem quer mergulhar no silêncio da montanha, embalado pelo canto dos pássaros e pelo bater das águas, que são uma marca ininterrupta em toda a Abadia.
O Mosteiro pertenceu à Ordem de Cister e é caracterizado pela sua arquitetura religiosa, românica, maneirista, barroca, rococó, neoclássica e contemporânea. Deste imóvel destaca-se a Sacristia dividida por dois arcos pintados, tem o teto de caixotões, ornando com pinturas. De salientar, as paredes da sacristia forrada a azulejos do século XVIII que retratam a vida de S. Bernardo, um tesouro artístico legado pelos nossos antepassados e desconhecido dos mais atentos olhares.
“A sacristia, que se conserva em estado quase impecável, é a melhor, a mais admirável peça de todo o conjunto conventual; um verdadeiro mimo de arte, certamente único”. Estas palavras são de Domingos M. Silva, e representa um pouco o sentimento geral daqueles que visitam o local. Trata-se de espaço de planta retangular dividido em dois tramos por um pilar, onde descarregam dois arcos de volta perfeita, terminando numa elegante coluna, devidamente decorada com pintura antiga semelhante a frescos. É no teto que está a maior beleza: apresenta-se em caixotões, com “delicadíssimos ornatos” e pinturas de fundo, com diferentes motivos simbólicos, designadamente sobre a natureza, folhagens, volutas e anjinhos; e uma série de versos bíblicos ou legendas em latim e alegorias sobre a vida de Nossa Senhora.
Um olhar desatento faz pensar que todos os caixotões são iguais, mas numa observação mais cuidada constata-se que cada caixotão policromado é um quadro diferente, cuidadosamente pintado.
O mobiliário da sacristia é outro motivo de interesse. A toda a volta e encostado às paredes uma correnteza de gavetões de pau santo, com artísticos puxadores e encrustações de latão.
A riqueza artística da sacristia não se fica por aqui. Para além dos adornos, vale a pena ver e apreciar a qualidade dos azulejos pintados possivelmente por Teotónio dos Santos. Nos azulejos está contada a interessante lenda de Umbelina, a irmã de São Bernardo, o abade de Claraval.
Na brochura, “Real Mosteiro de Santa Maria de Bouro”, recolha do padre Carlos, está descrita a lenda segundo a qual S. Bernardo conversa com a sua irmã Umbelina; depois recusa-se a recebe-la em Claraval, admoestando-a pelo traje luxuoso. Ao atravessar uma ponte no coche a caminho do Concílio de Pisa, o diabo aparece a importunar o santo. Este obriga-o a atirar-se ao rio. Mas depois, como vingança, o mafarrico quebra as rodas da “carroça”. Por castigo, S. Bernardo obriga o diabo a servir-se de roda até ao fim do percurso. Noutros quadros é possível ver a bênção da taça e o milagre em que o santo afasta a água da chuva de um escriba que lhe está a escrever uma carta, e do respetivo pergaminho. O último quadro refere-se à conversão do duque Guilherme da Aquitânia.
Na sacristia havia ainda outras telas sobre a vida de Nossa Senhora.
Não se sabe bem a data da obra na sacristia, mas as pinturas no teto devem ter sido feitas em 1715, a julgar por uma inscrição no local. Além da beleza artística do local, é também um espaço de reflexão.
O Mosteiro de Santo André de Rendufe, localizado num vale, numa zona rural, isolado pela sua antiga cerca, foi mandado construir no séc. XII, na freguesia de Rendufe.
O Mosteiro beneditino masculino, onde se destaca a talha dourada, de estilo barroco nacional, está classificado como Imóvel de Interesse Público. Parte do mosteiro (dependências monacais e quinta da cerca) pertence a particulares, com uma importante produção de vinho verde.
Sendo uma das mais belas joias da arquitetura barroca do Concelho de Amares, o Mosteiro de Santo André de Rendufe proporciona, todavia, uma viagem pelos vários estilos arquitetónicos, onde podemos encontrar a energia e o movimento do barroco, por um lado, e a sobriedade do neoclássico, por outro.
O monte de S. Miguel-o-Anjo apresenta-se como um miradouro, enquadrado pelas montanhas rochosas da Abadia, o que lhe confere uma boa posição estratégica e uma excelente visibilidade sobre o vale do Cávado.
Neste local foram encontrados fragmentos de cerâmica da Idade do Ferro e da Época Romana.
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