O monte de S. Miguel-o-Anjo apresenta-se como um miradouro, enquadrado pelas montanhas rochosas da Abadia, o que lhe confere uma boa posição estratégica e uma excelente visibilidade sobre o vale do Cávado.
Neste local foram encontrados fragmentos de cerâmica da Idade do Ferro e da Época Romana.
Nesta montanha, S. Miguel-o-Anjo, podemos encontrar vestígios de civilizações castrejas e povoadas fortificados, como o povoado de cabanas, castelos e, principalmente, de Cidadelhe.
A montanha de Bouro tem como posto culminante o Crasto, amontoado granítico a 992 metros de altura. A uns 50 metros deste local, na direção sul, localiza-se a Chã da Nábia, local que tem o nome da deusa celta Nábia. Aqui, eram realizadas festas em sua honra. Estas teriam particularidades condizentes com o seu caráter guerreiro, com a sua associação à água, aos rios e à passagem para o além.
Aparecem, também, outras referências em aras, a um outro Deus Celta, de nome Borvo, que terá levado à atribuição do nome Bouro, primeiro à montanha e depois à comunidade monástica que se instalou na Cidadelhe.
Mais tarde, com a cristianização, muda de nome para Outeiro de S. Miguel.
Borvo significa “aquele que borbulha”, deus das fontes, dos riachos, das cachoeiras e fervenças.
Na confluência dos dois riachos que descem da serra, unindo os dois deuses celtas referidos, surge o vale da Senhora da Abadia. Unem-se os rios, os deuses e surge a Senhora da Abadia.