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Paisagem, Religião
Santuário de Nossa Senhora da Abadia
Santuário de Nossa Senhora da Abadia - Um Mosteiro nas montanhas

O Santuário de Nossa Senhora da Abadia está edificado na encosta da montanha, rodeado de vasta vegetação, com a ribeira a escorregar pela serra e o silêncio a imperar em todo o espaço. O cruzeiro do final do século XVIII, implantado ao centro do grande adro da igreja, dá-nos a indicação da chegada. Em ambos os lados do terreiro fronteiro à igreja, encontram-se dois edifícios: a Casa das Ofertas dos Romeiros e os Quartéis onde, em tempos passados, os peregrinos pernoitavam. Hoje, transformados em Museu de Arte Sacra da Confraria de Nossa Senhora da Abadia. Ao fundo, avulta o Santuário, considerado por muitos o santuário mariano mais antigo da Península Ibérica.
Foi edificado no primeiro quartel do século XVIII, substituindo uma pequena ermida medieval ali construída no século XII, após a aparição de Nossa Senhora no local de Abadia. O Santuário foi integrado no Mosteiro de Santa Maria de Bouro, construído no final do século XII pelos monges beneditinos que, desde o século IX ocupavam o monte de S. Miguel. Alguns anos depois, passou a reger-se pela ordem de S. Bernardo, sendo cisterciense até à sua extinção, em 1834.
A fachada principal da igreja é antecedida por duas torres sineiras de granito com cartelas dos relógios. Ao centro, um arco abatido com pedra de armas na base, e no topo, um nicho com a imagem de Nossa Senhora da Abadia.
No interior, destacam-se os inúmeros altares nas três naves laterais, separadas por arcos de volta perfeita que, juntamente com o altar principal, impressionam pela sua grandiosidade e pela beleza da sua talha dourada. Destaque ainda para o órgão setecentista, talhado à mão, com a particularidade de possuir uma carranca cuja boca se mexe em simultâneo com o som.
No altar principal, é possível subir até junto da secular imagem de Nossa Senhora da Abadia com o Menino ao colo, que é venerada por milhares de peregrinos que ali chegam, sobretudo no último domingo de maio e no dia 15 de agosto. Este santuário foi classificado como de interesse público, no ano de 2016.

A LENDA

Acredita-se que com a invasão dos mouros no século VIII, os eremitas que viviam no Monte de S. Miguel, em Amares, abandonaram o local. Porém, antes de partirem e, para evitar a profanação da imagem da Virgem Santíssima, esconderam-na no fundo do vale, num lugar seguro e de difícil acesso. Reza a tradição que muitos séculos depois, no tempo de D. Henrique, o fidalgo Pelaio Amado, após a morte da sua esposa e, posteriormente da sua filha, voltou-se para a vida religiosa e tornou-se eremita. Ele foi viver com Frei Lourenço, no Monte de São Miguel. O monte ainda existe, a pouco mais de um quilómetro do Santuário, e com ele uma paisagem de cortar o fôlego.
Conta-se que, numa noite, Frei Lourenço e Paio Amado viram, do alto do Monte de São Miguel, uma luz forte e misteriosa que vinha do fundo do vale. O cenário repetiu-se na noite posterior, até que na madrugada seguinte, ambos desceram até ao ponto de onde partia a claridade e lá encontraram, escondida entre as pedras e sob um penedo, a imagem da Virgem Maria recortada numa pedra tosca. Cheios de júbilo, eles prostraram-se diante da imagem e, agradecidos, passaram a venerar nela a Virgem Maria. Os eremitas mudaram-se para aquele local e construíram ali uma simples ermida, onde colocaram a imagem, que passou a ser visitada por inúmeros devotos, após o feito ter-se espalhado por todo o país. A gruta do milagre ainda permanece no local e sobre ela ergueu-se uma estátua da Virgem, onde se pode ler a data de 1883. Porém, quem entra na gruta, observa uma inscrição que afirma que a imagem foi encontrada em 1107, embora pairam dúvidas sobre esta data. Mais tarde, e julga-se que, na sequência da visita do prelado bracarense D. Maurício Burdino, este mandou construir a primitiva igreja, de pedra lavrada. Considerando a época de fundação, a igreja seria da primeira fase do estilo românico. Porém, com as sucessivas reconstruções, hoje estamos perante um edifício de estilo maneirista, barroco e rococó.

CRUZEIRO

No terreiro, existe um cruzeiro assente em plataforma quadrangular de dois a três degraus, devido ao declive do terreno, com plinto paralelepípedo, decorado por festões e volutas. Neste, assenta coluna de fuste liso, com o terço inferior estriado e capitel coríntio. No topo, uma cruz latina de braços trilobados com a imagem de Cristo Crucificado. Foi edificado em 1795 por José Ribeiro, de Cervães.

QUARTÉIS OU EDIFÍCIOS DOS ROMEIROS

O Santuário da Abadia, cuja história está intimamente ligada à história do Mosteiro de Santa Maria de Bouro, está rodeado de “quartéis”, construções em arcada que davam guarida aos peregrinos que ali passavam dias e noites.
Os Quartéis dos Peregrinos, construídos em ambos os lados do santuário, eram local de descanso e repouso para os que vinham de longe agradecer a Nossa Senhora.
No museu, é possível observar manifestações de etnografia, folclore e artesanato, que contribuem para uma melhor identificação dos tempos passados.
Encontram-se, também, expostos diversos elementos que auxiliavam os peregrinos quando aí pernoitavam: penicos, jarras, candeias a azeite, etc.
 

FESTIVIDADES

O Santuário de  Nossa Senhora da Abadia é sobretudo um local de meditação e oração. As principais festas e romarias são a Peregrinação realizada no último domingo de maio e a Romaria no dia 15 de agosto, dia da Assunção de Nossa Senhora. Contudo, no domingo de Pascoela, realiza-se uma outra festa neste Santuário, a Romaria da Senhora da Goma ou festa dos Gozos de Nossa Senhora.
A peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora da Abadia é uma tradição que se mantém desde 1978. Desde então, no último domingo de maio, centenas de fiéis sobem a encosta em direção ao Santuário.
Com partida do Largo de Bouro, esta peregrinação do Arciprestado de Amares, conta com a presença de algumas freguesias de Terras de Bouro e de Vieira do Minho.

MUSEU ETNOGRÁFICO DO SANTUÁRIO DA ABADIA

Local de devoção mariana antes do desenvolvimento de outros santuários como o Sameiro ou Fátima, no largo em frente ao Santuário da Nossa Senhora da Abadia, encontram-se dois edifícios: a casa das ofertas dos romeiros e os quartéis, onde em tempos passados, os peregrinos podiam pernoitar. Este espaço alberga atualmente o Museu de Arte Sacra da Confraria de Nossa Senhora da Abadia, inaugurado a 22 de agosto de 1990. Identifica-se, fundamentalmente, pela arte sacra, estatuária, alfaias, documentação e manifestações religiosas, etc. A etnografia, o folclore e o artesanato (cultura do linho) contribuem, também, para sua identidade.
Aqui, encontram-se inúmeros elementos de arte sacra, essencialmente estatuária, alguns deles pertencentes às capelas dos Calvários da Senhora da Abadia.
É de salientar neste museu a coleção de ex-votos que está exposta. O ex-voto é o presente dado pelo fiel ao seu Santo de devoção em consagração, renovação ou agradecimento de uma promessa.
O volume e a beleza dos ex-votos recolhidos neste Santuário relatam, de modo muito expressivo, as múltiplas circunstâncias, lugares e tempos em que a Virgem é invocada, aparece e está presente na vida dos que imploram a sua proteção, nos mais diferentes momentos críticos da vida. O ex-voto mais antigo data de 1660.

CONFRARIA NOSSA SENHORA DA ABADIA

A Confraria de Nossa Senhora da Abadia já existia em 1648, data da concessão da Bula de indulgências à Confraria, pelo Papa Inocêncio X. Com a expulsão dos Frades em 1834, as referências à Confraria desaparecem passando para a direta tutela de ordem e poder civil e do estado.
Em edital de 7 de agosto de 1865, o Arcebispo de Braga fala unicamente de capelão e de “Reverendo Administrador do Santuário”.
No último quartel do século XIX, com a necessidade de conceder personalidade jurídica ao Santuário, organizou-se uma “Comissão Instaladora da Confraria de Nossa Senhora da Abadia”. Em alvará de 7 de agosto de 1886, são aprovados os Estatutos e regularizada a Confraria, a que o Arcebispo Primaz D. António Honorato, em previsão do dia 13 do mês e ano, concedeu instituição Canónica. No dia 9 de agosto, procedeu-se à eleição da primeira Gerência da Confraria.
“Os novos Estatutos da Confraria da Nossa Senhora da Abadia são dados à estampa em 1942. Aí se definem os objetivos da confraria, remodelada, nesses horizontes do séc. XX.”

OS EX-VOTOS DA SENHORA DA ABADIA

O termo latino “ex-voto” designa uma oferta votiva em agradecimento a uma entidade sagrada, neste caso a Nossa Senhora da Abadia, por um evento tido como miraculoso, ou seja, uma graça recebida: cura milagrosa ou salvamento inesperado de morte certa, retorno à saúde de animais doentes, infortúnio laboral, incidente de viagem, agressões, catástrofes naturais, naufrágios, guerra, etc.
O crente suplica à Senhora determinada graça e, sendo-lhe concedida, agradece. São ofertas de ação de graças, muitas delas sem grande valor monetário, mas de extraordinário interesse, como peças de arte popular.
Vale a pena determo-nos nestes objetos, de valor incalculável na caraterização cultural de um povo. Todos eles são testemunhos vivos da fé e do agradecimento que os fiéis, desde remotas épocas, têm tributado a Nossa Senhora da Abadia.
A origem dos ex-votos remonta ao início das civilizações, não se sabendo ao certo quando começou a relação de oferendas a entidades divinas. A prática de doar, nos templos dedicados às divindades, pequenas estátuas ou outros objetos votivos, já está documentada na civilização egípcia, na antiga Grécia, na época romana e trusca.
O mais antigo ex-voto  da Senhora da Abadia remonta a 1660 e evidencia o milagre que fez Nossa Senhora da Abadia ao Capitão de S. João de Rei, António de Freitas, estando de uma cólica que lhe não passava com remédio algum e alcançou saúde.
 

Rota Mariana

A Virgem Maria, Mãe de Deus, sempre foi e sempre será venerada das mais diversas formas e estará sempre presente nas várias manifestações religiosas. Inúmeros são os templos que surgem em que a sua veneração onde a devoção e a fé captam milhares de fiéis.
A Rota Mariana é um exemplo desta importância e devoção onde estão incluídos todos os Santuários em que a presença de Nossa Senhora dá origem a manifestações constantes e celebrações de festas religiosas.

Fotos de quem nos visitou
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Atualizado em 01/07/2025
Ponto adicionado ao roteiro “nome do roteiro”